Romances

Adão e Eva no Paraíso de Eça de Queiroz

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    Adão, Pai dos Homens, foi criado no dia 28 de Outubro, às duas horas da tarde… Assim o afirma, com majestade, nos seus «Annales Veteris et Novi Testamenti», o muito douto e muito ilustre Usserius, bispo de Meath, arcebispo de Armagh, e chanceler-mor da Sé de S. Patrício. (…) Adão, no terrível dia 28 de Outubro, depois de espreitar e farejar o Paraíso, não ousou declarar reverentemente ao Senhor: «Obri¬gado, oh meu doce Criador, dá o governo da Terra a quem me¬lhor escolheres, ao elefante ou ao canguru, que eu por mim, bem mais avisado, volto já para a minha árvore!…» Mas enfim, desde que nosso Pai venerável não teve a previdência ou a abnegação de declinar a grande supremacia -continuemos a reinar sobre a Criação e a ser sublimes… Sobretu¬do continuemos a usar, insaciavelmente, do dom melhor que Deus nos concedeu entre todos os dons, o mais puro, o único genuinamente grande, o dom de O amar – pois que não nos concedeu também o dom de O compreender. E não esqueçamos que Ele já nos ensinou, através de vozes levantadas em Galileia, e sob as mangueiras de Veluvana, e nos vales severos de Yen-Chu, que a melhor maneira de O amar é que uns aos outros nos amemos, e que amemos toda a Sua obra, mesmo o verme, e a rocha dura, e a raiz venenosa, e até esses vastos seres que não parecem necessitar o nosso amor, esses sóis, esses mundos, essas esparsas nebulosas, que, inicialmente fechadas, como nós, na mão de Deus, e feitas da nossa substância, nem decerto nos amam – nem talvez nos conhecem.

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