Comunicação

Os sentidos do impresso, Simone Antoniaci Tuzzo

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    DE TRÁS PARA FRENTE! Este livro começa pelo fim. Sim, porque é a partir das duas considerações mais significativas das pesquisas realizadas no Brasil e em Portugal que a ideia de escrever esta obra ganha um significado. Questionados sobre o porquê de ainda continuarem a ler jornal impresso em uma sociedade digital, os leitores brasileiros afirmam que gostam do cheiro da tinta; do som de virar as páginas; da textura do papel sendo um prazer para o tato; da calma que traz a leitura no formato impresso do jornal, sendo também uma sensação agradável para a visão. Além disso, não são poucos os que citam o prazer associado a um café. Isso é muito interessante, pois a leitura do jornal passou a aguçar os cinco sentidos, ou seja, a princípio já estimulava a visão, o tato, a audição e o olfato, mas como o paladar não estava presente, o café completa o processo para os leitores brasileiros. A informação ganha um sentido físico-sensorial! Para os portugueses isso também é real, mas avança. Além dos cinco sentidos do impresso, os leitores gostam da rede de relacionamentos, tão presente nos dias atuais; mas agregam com sutileza o modo tradicional de se relacionarem, ou seja, as redes de relacionamento, as redes sociais, não são só virtuais, elas existem de forma presencial, nos cafés, nas esplanadas, no encontro físico com os amigos, no dia a dia do cultivo da amizade, do contato e do convívio. Ler jornal é uma prática social coletiva e não somente individual. Para os portugueses o que vale é um jornal, um café e um bom amigo! Eis a fórmula das redes sociais desde sempre! TODO FIM TEVE UM COMEÇO… Este livro parte de várias pesquisas realizadas entre 2012 e 2015 com leitores, jornalistas e editores de jornais impressos das cidades de Goiânia, Goiás, Brasil e de Lisboa, Portugal. Trata-se, portanto, de uma visão em dois países, mas não exatamente de estudos de caso. A ênfase está em uma reflexão a partir da pergunta central: Qual é o papel do jornal impresso em tempos de internet e redes sociais? Nos tempos atuais, onde a velocidade é cada vez mais marcante no processo de aquisição das informações produzidas pelas mídias 50 • eletrônicas que trabalham os conteúdos em tempo real e com agilidade, é importante compreender o espaço do jornalismo clássico que se coloca à prova de uma sociedade onde os fatos, os acontecimentos e as notícias mudam com o desenvolvimento das novas mídias e com o comportamento dos consumidores. Parte-se da ideia de que o factual está cada vez mais marcado nas mídias eletrônicas e que ao jornal impresso vale os caminhos não só da informação, mas da refl exão, opinião, crítica e análise. Ler o mundo e interpretá-lo nunca foi tão importante, pois o efêmero e a quantidade de informações existentes hoje colocam o leitor em condição de não assimilação de tanta informação. Assim, a própria pergunta central se amplia e avança para uma curiosidade sobre o porquê desses leitores continuarem a ler jornal impresso se as informações estão colocados de forma instantânea nos dispositivos móveis digitais. Desta forma, saber o que pensam os leitores pode trazer refl exões importantes nesse campo da comunicação, pois os consumidores dessa mídia se apresentam, muitas vezes, devotos de um formato que transcende o seu conteúdo e se apresenta como um companheiro da rotina, um hábito. Além disso, a opinião dos jornalistas e editores de jornal impresso também é fator determinante neste estudo, tendo em vista que o jornalista escreve (ou pelo menos deveria escrever) para o leitor, e a sintonia entre produtores e consumidores deveria ser algo determinante na mídia e estar à frente de interesses organizacionais e comerciais. Este trabalho fundamenta-se nas ideias de pensadores como Sodré (2006), McLuhan (1967), Kerckhove (2009) e Perniola (1993), compreendendo que o ponto central do jornal impresso não se fi rma exatamente na informação, mas na interpretação e nos sentidos. A pesquisa qualitativa aponta a relação que os leitores possuem hoje entre o jornal impresso e as perspectivas para o futuro dessa mídia que, camaleonicamente se transforma para se ajustar aos novos cenários, causando impacto, também, na própria construção da opinião pública, em suas formas e atores sociais. Pensar o papel do impresso provoca ainda uma refl exão sobre a apropriação das mídias eletrônicas sobre este formato legitimado, em uma época onde a veracidade do papel continua acima da instantaneidade e vulnerabiliade dos formatos eletrônicos e dos dispositivos móveis.

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