Essa Lancinante Dor da Liberdade de: Vladimir Boukovsky
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Cartas de um resistente russo aos Ocidentais
“Há pouco tempo o representante de um grande jornal americano perguntou-me:
– Diga-me, como é que conseguiu emigrar? Conseguiu um visto para Israel?
Outro espantou-me ainda mais ao querer convencer-me a visitar os Estados Unidos:
– Sabe, vale a pena, é um belo país, Washington, a Casa Branca…
Perguntam-me cada vez mais, e com insistência cada vez maior:
– Que pensa do Ocidente?
Esquivo-me sempre à pergunta. É impossível responder em poucas palavras, e ninguém ouviria uma resposta-discurso.
No fundo, é essa a razão de ser deste livro.
[…]
este livro é uma estranha coisa. Faz-me pensar num viajante que atravessa a Rússia num vagão do Transsiberiano, que não pára mais de vinte minutos nas grandes cidades. Que pode ele ver da janela do seu compartimento? Os indígenas vão ficar indignados quando lerem o relato da viagem.
Tudo depende da maneira de olhar. Também me aconteceu percorrer milhares de quilómetros em comboios russos. O aborrecimento era tal que eu contava os vagões dos comboios de mercadorias, escutava de madrugada os silvos das locomotivas, apitos fracos, como bocejos, bebia chá de manhã em copos colocados nos inevitáveis porta-copos. Esses cais cinzentos, essas garezitas, essas aldeias esquecidas, desaparecem da memória sem deixar rasto.
Ficam impressões. Nos sítios em que a linha férrea passa próximo das aldeias, as crianças vêm sempre ver o comboio. Duas ou três silhuetas imóveis a verem o comboio passar, com uma tristeza pungente, como se nele fosse toda a sua vida.
Nunca no Ocidente vi crianças olharem assim para um comboio que passa.” in Epílogo
Do índice:
I – O Poder e a Opinião
II – Liberdade, Querida Liberdade
III – O Mito Socialista
IV – O Pássaro, a Vaca e o Gato
Epílogo
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