Brasil Díptico de Filomena Cabral
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Neste díptico, os tempos cruzados remetem para uma espessura histórica, experiência de temporalidade, modelos de conduta. O mar, esplêndida metáfora do desconhecido, é espelho ambíguo onde se projectam imagens de navegador e navegado, rumo a uma futura memória, embora possam ser invocados – a pretexto das comemorações do Descobrimento do Brasil –, motivos para a travessia dos oceanos disponíveis para a ousadia, num emaranhado de linhas, de rede inter-lugares, labirintos múltiplos.
Em História o que acontece não poderá ser repetido – a efeméride torna-se abstracção –, sim recordado pelo testemunho dos actores sociais, políticos –, das personagens inconscientes do seu papel de sujeito ou observador, o tempo histórico é uma sucessão de factos. O direito de agir está sempre em foco, ainda e quando a narradora recorre à ironia, a uma estética do riso ocasional, para encenar a liberdade (Bakhtin), a subversão servida pela ruptura das regras.
Apesar do universo de personagens históricas e fictícias de Ouro e Viagem, Portugal, Brasil, as ideias – destas é a epopeia – são as figuras principais, espaços onde se desenvolvem sagas de famílias que viajaram para a América.
«Tempos que se entrecruzam, como se passado, presente e futuro fossem abolidos pela magia da literatura, permanecendo a beleza da língua, a própria vida humana nesse moto-contínuo das gerações e a História […]
Em Brasil. Díptico observa-se um misto de ficção, história e ensaio. Filomena Cabral não está sozinha. Tem ao lado Milan Kundera, Umberto Eco e tantos outros que fazem da sua erudição uma ponte entre o esquecimento e a lembrança.»
Jornal da Tarde/O Estado de S. Paulo
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