Cartas, Alexandre de Gusmão, Alexandre de Gusmão, Andrée Rocha
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Ao lado do número avultado de grandes escritores portugueses que, à margem da sua atividade criadora, nos legaram uma correspondência que completa harmoniosamente aquela, existem, sobretudo no século XVIII, algumas personalidades de destaque na vida pública do país que concentraram nas cartas que escreveram o melhor do seu talento literário, e alcançaram assim merecida celebridade. Entre eles encontra-se Alexandre de Gusmão. Incapaz de estruturar aturadamente diversos projetos literários ( nas áreas do teatro, da poesia e da História ). Introduziu nas suas cartas as virtudes duma escrita nitidamente literária, e, o que mais importa, com uma marca estilística perfeitamente individualizada. Não terá o seu epistolário a diversidade e a malícia do que nos deixou o Cavaleiro de Oliveira, a pungente melancolia de certas cartas a Ribeiro Sanches, o interesse ideológico e didático da correspondência de António Verney, o pitoresco das missivas do Abade António da Costa, o desembaraço europeu do noticiário de Cunha Brochado. Mas estes escritores – todos eles « estrangeiros » e compelidos, por profissão ou desgraça, a contemplar das lonjuras de Viena, de Roma, de Paris ou de Londres a movediça realidade social, cultural e política de Portugal – são, no entanto, igualados noutro leque de matrizes pelo secretário de D. João V. A observação quotidiana do país e dos que nele ocupavam lugar de relevo aguçou em Alexandre de Gusmão uma veia crítica extremamente contundente, que ora se traduz em desabusada ironia, ora em magoada indignação. A leitura das suas cartas, tanto as ditas « de oficio » como as particulares, permite-nos penetrar num sem-número de aspetos políticos, económicos e humanos da primeira metade do seu século. Camilo Castelo – Branco não hesita em declarar no seu Curso de Literatura Portuguesa, que as cartas de Gusmão excedem as do Pº Vieira e de D.Francisco Manuel de Melo. Não é preciso recorrer a este tipo de juízo comparativo ( provavelmente devido ás afinidades de Camilo com o espírito sarcástico do autor destas Cartas ) para valorizar o espólio epistolar dum homem singular, exemplo acabado daquelas vocações literárias incompletas, que encontram as características específicas do género epistolar ( brevidade, diversidade temática, ausência de normas muito rígidas ) um terreno propício à expansão do seu real talento de escritor.
Editora:
Imprensa Nacional – Casa da Moeda
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