Romances

À Sombra das Montanhas Esquecidas De Alice Machado

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    “Para não me ver partir, Rafael escondeu o rosto contra a terra, e ficou assim, imóvel, como morto, estendido na erva seca. Dolorosamente separei-me dele, deixando-o ali, no insuportável silêncio da ribeira. Ferida, dilacerada no mais profundo da minha alma, retomei o caminho da aldeia. Por cima das montanhas o céu estava negro, ameaçador, e o ar estava coberto com um forte cheiro a tempestade e a amoras selvagens. Em meu redor, as folhas mortas de Setembro caíam tristemente sobre a terra. Rafael ainda estava ali, só, e eu caminhava, caminhava em direcção à sua ausência. Ele partia para as colónias, para aquela guerra que já tinha matado Francisco, Albino, o irmão de Carlos, e tantos outros que eu não conhecia. Eu temia por Tino, por Florêncio. Um dia, também eles acabariam por embarcar nesse satânico barco branco. «Maldita seja a guerra!», gritei, «maldito seja esse monstro que para não morrer devora o sangue e a carne da vida!…»”

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