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Ocaso em Tempo que Nasce de José Lopes Alves

19.00

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    Galhofaram os três como se estivessem a tratar da acção mais humanitária desta vida. O Aristides dividiu então pelos três copos o já diminuto conteúdo da garrafa, esvaziaram-nos ao mesmo tempo e, logo a seguir, com um sonoro “boa noite amigo”, despediram-se do taberneiro, então empenhado, de cabeça baixa, a lavar o balcão. Ainda não teriam, porém, decorrido dois minutos sobre a saída do grupo quando, trancada a porta, o taberneiro se dirigiu para o telefone e marcou um número.

    – Desejava falar com o senhor inspector Adalberto Campos… – disse – É o Campinas!…
    Logo a seguir, murmurou para si:
    – Finalmente, parece-me que tenho algo de peso para justificar a gratificação que me pagam!…

    O dia seguinte, 16 de Março, uma sexta-feira, surgiu de céu carregado e com chuva miúda puxada pelo vento. Seguindo a rotina das suas funções no quartel-general, Jorge do Canto, depois de ter assistido ao brifingue matinal, sentou-se à secretária e iniciou a análise dos documentos que lhe haviam sido distribuídos na tarde precedente. Subitamente, porém, pelas dez horas, irrompeu no gabinete o coronel Jorge Vilares, que, com voz excitada, exclamou:

    – Então não é que aqueles filhos das suas senhoras mães conseguiram mais uma vez safar-se?!… Ainda não foi desta que tiveram o prémio que merecem!.. Foi uma pena!..

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