Como Agua para Chocolate, Laura Esquivel

6.00

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Descrição

Talvez por falar tanto de comida. E de misturar um caleidoscópio de emoções daquilo que parece ser um melodrama do início do século XX com sabores, receitas aromáticas, com o apimentado e algo sarcástico humor mexicano.

Este é um romance construído com base num conflito entre tradição e afectos.

O cenário da acção é o México rural, do início do séc.XX. Mamã Elena é uma mulher seca, amarga, de carácter dominador, que administra o seu rancho e, simultaneamente, a sua família com mão de ferro. O seu despotismo determinará que Tita, a mais jovem das três filhas da proprietária, sacrifique a expressão e concretização dos seus afectos para cuidar da mãe durante a velhice. A despótica matriarca delibera que Pedro, o apaixonado de Tita, case com Rosaura, a filha mais velha, Mamã Elena está, nada mais nada menos, que a unir o útil ao agradável: Tita é a mais a filha mais dócil e diligente de toda a sua prole.

Mas Pedro, só aceita a imposição porque é a única forma de estar próximo da mulher que ama.

A paixão reprimida de Tita por Pedro é sublimada através da arte culinária, pois é na cozinha, ao manipular temperos e alimentos que Tita usufrui de total liberdade para exprimir o que sente. Ao elaborar pratos sofisticados, Tita projecta emoções, sufocadas por uma tradição obsoleta e desumana, na comida. Emoções que, através de um processo semelhante à osmose, são por sua vez, transferidas para aqueles que se deliciam com as iguarias da protagonista. E que neles despoletam os comportamentos mais bizarros sendo, desta forma, levados a agir segundo a perspectiva e forma de sentir de Tita.

Por exemplo: a indisposição geral que se abate sobre os convidados durante o casamento de Pedro e Rosaura, logo após ingerirem o bolo que Tita é obrigada a confeccionar. Um mal-estar que é confundido com uma invulgar e extremamente violenta intoxicação alimentar, a qual se manifesta num estrondoso vomitório colectivo. No entanto, trata-se apenas da forma como Tita gostaria de exteriorizar o que sente face ao atentado contra o livre arbítrio dos dois amantes.
Outro exemplo é o “incêndio” que deflagra no corpo de Gertrudis, a irmã domeio, após degustar um prato afrodisíaco de Tita – codornizes com pétalas de rosa – que a leva a fugir, montada na garupa á semelhança de Lady Godiva renascida, com um revolucionário.

Cada capítulo de Como Água para Chocolate é iniciado com uma receita à qual está, de algum modo, associada uma forte carga emocional.

A paixão de Tita por Pedro deixa-a mesmo “como água para chocolate” (bebida mexicana preparada com água e cacau), expressão idiomática que significa: em ponto de ebulição. Mas esta bebida só se forma quando os dois ingredientes se misturam…e o amor também, ou seja quando duas almas se fundem à temperatura da água ao formar o chocolate quente. Mas ao fazê-lo, as duas substâncias deixam de existir para formar o novo composto…

Logo que a presença gelada de Mamã Elena deixa de exercer a sua influência na livre expressão dos afectos dos dois protagonistas, a poderosa reacção alquímica ocorrida entre eles corre o risco de provocar uma combustão espontânea, idêntica ao accionar de todos os detonadores de um arsenal de explosivos como profetiza Jonh, o médico da família…

O estilo da Autora incide sobretudo num discurso onde predomina o uso da hipérbole, do exagero e até do absurdo para melhor enfatizar o ridículo da contradição ente a moral associada aos costumes e tradições – mores – e a ética fundamental e universal, que reside no livre arbítrio, no direito inalienável de cada indivíduo efectuar as suas escolhas e, com base nelas, construir a própria vida.

Um romance, que incide num tema clássico, onde o amor é negado aos protagonistas, e onde se “cozinha” muito mais do que receitas emocionais: um mundo imaginário onde ocorre a vulcanização de uma paixão proibida, dentro do género do realismo mágico, ao estilo de Jorge Amado ou Gabriel García Márquez.



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